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PROJETO RESGATA AUTOESTIMA DE JOVENS EM VULNERABILIDADE SOCIAL ATRAVÉS DA MÚSICA


Esta postagem foi publicada em 13 de julho de 2017 Administração, Notícias, Notícias em Destaques Slide Topo, Política.

No Percoral a música é usada como ferramenta de transformação social. O aproveitamento de materiais que seriam descartados, utilizando-os como instrumentos musicais, apresenta uma simbologia para a vida pessoal de cada jovem

Muito além da musicalização de crianças e adolescentes que se encontram em situação de vulnerabilidade social, o Projeto de Percussão Corporal e Alternativa – Percoral resgata a autoestima dos jovens inseridos nos Centros de Referência de Assistência Social (CRASs) de Lages.

Depois de cinco anos de trabalho junto à comunidade, o artigo do projeto foi aprovado e será apresentado na Conferência Regional Latino-Americana do ISME – International Society For Music Education (Sociedade Internacional para Educação Musical), que será realizada em Natal, no Rio Grande do Norte, reunindo diversos países da América Latina, de 8 a 11 de agosto.

Esta participação em um evento do ISME, que promove Conferências ao redor do mundo, certamente dará um novo direcionamento ao projeto. Além de representar Lages perante o público internacional, a volta desta viagem estará carregada de novas experiências e aprendizado, pois os documentos elaborados nesses eventos contribuem com diversas linhas de pesquisa relacionadas à iniciação musical de jovens nas escolas e instituições.

O início

Tudo começou em 2012, através do sonho de três jovens estudantes do curso de Música da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac). Hoje, os professores de música graduados, Josias Zancheta, Fabrício Lima Garcia e Antônio Pereira, dão continuidade ao trabalho e buscam apoio.

Na época eles elaboraram o esboço de um projeto que, depois de muita dedicação, mesmo com poucos recursos financeiros, alcançaria muitos jovens carentes no município.

Ingressar no Programa Instituição de Bolsas de Iniciação a Docência (Pibid) – um programa que permite ao acadêmico uma experiência no ambiente escolar, no contato com os alunos, antes de se formar, foi o pontapé inicial, na época da universidade. Foi algum tempo de formatação do projeto, até entrar em execução por volta de 2015, nas redes de ensino municipal e estadual. Iniciado na área da educação, o projeto foi fomentado também pela Secretaria Municipal de Assistência Social, passando a atuar nos CRASs.

O Percoral consiste em grupos de crianças e adolescentes, entre nove e 16 anos de idade, com até 60 integrantes cada, dependendo do bairro de atuação, que aprendem a fazer música através de instrumentos alternativos. “Muitas dessas crianças nunca tiveram contato com algum instrumento musical, que são caros e inacessíveis à população mais carente. Conhecem a música através da televisão e das rádios. Então o projeto veio para inseri-los no mundo da música de uma forma muito mais realista”, diz um dos professores.

E na falta de recursos financeiros para comprar instrumentos modernos, os idealizadores improvisaram e inovaram, reaproveitando materiais como latas, latões, copos, caixas, baldes e outros objetos que seriam descartados. Os instrumentos de percussão alternativos são a base para o aprendizado, na prática, de ritmos afro-brasileiros, como a capoeira, maculelê, marcha-rancho, entre outros que marcam a identidade cultural do país. “A ideia não é transformar esses materiais recicláveis, que provavelmente iriam parar no lixão, em tambores e outros instrumentos de percussão, mas usar o som original que eles produzem para fazer música”, destaca.

Autoestima renovada

No Percoral a música é usada como ferramenta de transformação social dentro da comunidade. Para muitos, o aproveitamento de materiais que seriam descartados, utilizando-os como instrumentos musicais, apresenta uma simbologia para a vida pessoal de cada jovem, resgatando também a autoestima deles. “Alguns alunos nossos, com baixo poder aquisitivo, ou negros, têm vergonha de sua condição perante a sociedade. Depois de muita conversa conseguimos reverter este quadro e trazer de volta o orgulho em ser o que é”, conta o professor Fabrício.

Há, dentro do grupo, muitos relatos da falta de perspectiva de vida para esses jovens. “Para eles, fazer um curso ou uma faculdade, é algo muito distante da sua realidade. Por isso o projeto vem com o objetivo de dar uma direção, dando espaço a novas possibilidades de se ter uma profissão, trabalhando com música, saindo das limitações e sendo protagonistas das suas próprias histórias”, comenta o professor Josias.

Futuros agentes facilitadores do projeto

O Percoral entra em uma nova fase, preparando seus pupilos para serem futuramente agentes facilitadores do projeto. Ou seja, as sementes lançadas agora poderão ser os frutos colhidos daqui a alguns anos, com alunos se tornando professores de música e dando continuidade aos trabalhos sociais desenvolvidos na comunidade.

Uma meta é fazer a junção de todos os alunos, de todos os CRASs que receberam o projeto, para que eles sejam preparados a serem os futuros monitores do projeto. “O trabalho acaba sendo temporário em cada CRAS, pois temos que seguir adiante e atender aos outros. Por isso é importante deixar alunos capacitados a continuarem o trabalho com a música, repassando os ensinamentos”, relata Josias.

Fotos: Toninho Vieira e Divulgação

 


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Coluna Eron J. Silva



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