O comentário do ERON – Reeleição parlamentar não significa mais atravessar o Rio Jordão.

O comentário do ERON – Reeleição parlamentar não significa mais atravessar o Rio Jordão.

(Foto divulgação)

 

Num passado não muito distante um parlamentar com mal feitos e que conseguisse a reeleição estava purificado e imune à Lei, devido à impunidade e o corporativismo. Quer dizer, a reeleição significava atravessar o Rio Jordão e se purificar, ser perdoado de todo o mau passado. O Jordão é o rio sagrado onde Jesus foi batizado.

 

Hoje em dia isso não dá mais a segurança de uma travessia tranquila de um mandato para outro. Com uma imprensa cada vez mais vigilante, as redes sociais atuando forte como um Big Brother, um Ministério Público independente e uma Justiça cada vez mais atuantes, a classe política não tem mais dormido direito.

 

Com a instituição da Ficha Limpa [nascida de um projeto de iniciativa popular] também ficou bem mais difícil conseguir novo mandato e continuar com o foro privilegiado. Até dizem que muitos políticos confundem Foro Privilegiado com “foram privilegiados”. Até parece que muito político se considera um ser de outro mundo, acima dos mortais.

 

Um avanço no combate à corrupção foi com a Constituição Federal de 1988. Ela criou a independência do Ministério Público, que passou a ter seu próprio orçamento e a atuar em várias frentes: transparência, questão ambiental, Procuradoria da República, Estadual e assim por diante.

 

Os novos tempos com a indignação da opinião pública, a mira da Operação Lava Jato e as transformações na sociedade com o brutal avanço tecnológico nas comunicações que viabilizaram o poderio da Internet com as redes sociais, a classe política anda em polvorosa, à cata de artifícios para salvar a própria pele.

 

As últimas iniciativas foram o enfraquecimento do combate à corrupção na desfiguração do projeto de iniciativa popular das 10 medidas e agora com o retorno da ideia de aprovação às pressas de uma reforma política. A novidade seria a chamada lista fechada, em que o eleitor [que é obrigado a ir às urnas] votaria numa lista e o partido decidiria internamente de quem seria o novo mandato. Parece mesmo que o mundo político está alheio ao clamor popular. Não quer ouvir a voz rouca das ruas.

eron