PAÍS SOBRE PNEUS É REFÉM DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO E COM UM CUSTO BRASIL CADA VEZ MAIS ALTO – O passado pensou uma infra sem ferrovias e hidrovias e dependente do caminhão

PAÍS SOBRE PNEUS É REFÉM DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO E COM UM CUSTO BRASIL CADA VEZ MAIS ALTO – O passado pensou uma infra sem ferrovias e hidrovias e dependente do caminhão

PARTE DA LOGÍSTICA, DO TRABALHO E DOS IMPOSTOS FORMOU UMA CADEIA DEPENDENTE DO CAMINHÃO E DO PETRÓLEO

 

O prego na engrenagem da economia

         Desde Juscelino que pensaram um país para trilhar pelos caminhos rodoviários. Governos se acomodaram e não diversificaram alternativas para os transportes. Agora, basta um espirro do caminhoneiro para comprometer a logística e emperrar a economia. E esse profissional ganha cada vez mais poder.

 

Uma simples redução nas atividades em São Paulo já reflete no país como um todo, imagina só um movimento de caminhoneiros neste momento que é preciso a retomada com força da economia.

Aliás, o movimento dos caminhoneiros sempre é previsível, apesar de indesejável e até justo. Também é previsível uma espécie de apagão periódico na dinâmica do país pela dependência do transporte rodoviário, as más condições das estradas e o crescente aumento da produção.

OS GARGALOS DA LOGÍSTICA

O perigo de apagão é constante, diante da produção crescente no agronegócio, crescimento industrial quando em condições normais, combustíveis cada vez mais caros e estradas cada vez mais defasadas. Cadê a energia para mover o setor produtivo, no dia que passarmos de 3% no crescimento do PIB. Como fazer circular a produção e a economia?

Há alguns anos uma das montadoras teve de construir um campo de provas de 16 pistas e do tamanho de 150 campos de futebol para testar caminhões que aguentem o tranco em nossas estraras.

LOGÍSTICA NO LIMITE

Hoje o problema do caminhão volta à agenda. A logística está no limite; 70% das estradas não tem qualidade ou não tem pavimento; os portos estão com maior Custo Brasil de todos os tempos; não há trem, hidrovias, navegação de cabotagem; e na energia corremos o risco de apagão toda vez que param as chuvas.

Ao menor esboço de crescimento já enfrentamos problemas de logística de transporte a falta de energia para movimentar as fábricas.

No agronegócio é uma safra maior que a outra: maior produção de soja e de café da história, cujos grãos podem acabar como pavimento em atoleiros de estradas de chão.

Um exemplo do erro estratégico de um sistema ilusionista é o que teve de fazer uma montadora de caminhões. Construiu um campo de prova para caminhões que custou mais de R$ 90 milhões. Antes, fez um laboratório ambulante sobre um caminhão com sensores que percorreu 16 mil quilômetros de diferentes estradas para chagar a uma tecnologia capaz de produzir um caminhão que suporte o desafio de trafegar em nossas estradas.

É preciso pensar logo numa solução para a diversificação das alternativas de transporte. Remendos e paliativos só adiam o problema. Até porque o petróleo pode não acabar já, mas seu uso enfrentará cada vez mais restrições.