EDITORIAL – Um ato inaceitável no protesto: violência gratuita e covarde tira a vida de um trabalhador

EDITORIAL – Um ato inaceitável no protesto: violência gratuita e covarde tira a vida de um trabalhador

É INCONCEBÍVEL ALGUÉM PERDER A VIDA QUANDO TENTA TRABALHAR!

A morte de um cidadão brasileiro que procurava fazer o que mais dignifica o ser humano: trabalhar, foi o fato que manchou a lua legítima e justa dos caminhoneiros. É bom lembrar que todo aquele que abandona a sensibilidade e parte para a violência, perde a razão e nem está preparado para viver numa sociedade civilizada.

O caminhoneiro que foi morto por uma pedrada, em Vilhena, Rondônia, jamais merecia sequer as ofensas verbais que recebeu no começo da abordagem. Tampouco aquele ato inexplicável, injustificável e covarde que lhe tirou a vida. Que absurdo!

Foi um ato bárbaro, talvez impensado, mas provavelmente executado por um desequilibrado que nem deve ser caminhoneiro. Deve ter lá seus motivos. Porém, certamente esse criminoso terá imensa dificuldade para explicar isso à esposa e aos filhos – se tiver. Também como ele irá explicar para a Justiça dos Homens e no Tribunal Divino, que é a Suprema Instância do julgamento dos maus?

Até por vezes discordamos de alguns pontos desse movimento, mas sempre concordamos com sua legitimidade e com o direto desses trabalhadores – os heróis das estradas – de lutar pelo que entendem justo.

É claro que muita gente vem sofrendo com esse movimento, porque não se pode fazer a omelete sem quebrar os ovos. Mas ficou comprovado, nesse episódio da greve, que precismos entender de um vez por todas que a classe dos caminhoneiros, num País extremamente rodoviário como o nosso, passaram a ser o ar que respiramos.

As agressões de hoje no Tocantins e esse triste acontecimento da morte do caminhoneiro em Vilhena/RO, mostram que a apoteose alegre e feliz da greve, com quase todas as reivindicações atendidas, caiu nas mãos de aproveitadores da política rasteira e do oportunismo.

É o que acontece quando se misturam em movimentos trabalhistas, interesses políticos e ideológicos de aproveitadores da situação. Visivelmente se infiltraram nela os interesses próprios ou os do quanto pior, melhor.

Ideologia barata, política partidária e violências não combinam, nem com uma inteligência mediana, muito menos com o traquejo democrático. Os últimos dias dessa greve se revestiram de uma espécie de radicalismo insano que “só o ódio engendra e constrói”.

Eron Portal