EDITORIAL DA SEMANA – Com o brutal avanço tecnológico a criatura pegou o criador

EDITORIAL DA SEMANA – Com o brutal avanço tecnológico a criatura pegou o criador

DAQUI UM POUCO NINGUÉM MAIS VAI PENSAR NEM FALAR

 

OPINIÃO

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Com o ser humano cada vez mais visual e superficial, se não houver preocupação com isso na escola, a tendência é o cérebro regredir até a época em que o homem desceu dos galhos. Inclusive foi quando surgiu o casamento.

É que precisou o pai ficar por perto da cria até pelo menos os sete anos. Então, isso quer dizer que o casamento é antropológico. Daí o que ocorre hoje com a crise dos sete anos. Se o casamento seguir em diante será porque não foi só para a proteção da prole.

Desse tempo aí em diante o homem foi só evoluindo, passado pelas diversas eras, chegando à contemporânea quando já foi à Lua, criou o robô, o chip e não vive mais sem a tecnologia. A criança já nasce apaixonada pelo celular e a primeira coisa que aprende é navegar na grande rede.

Isso quer dizer que já não é mais moda e sim paixão e necessidade estar conectado. Hoje somos tão dependentes das redes sociais que nem precisamos mais pensar. Mas aí é que mora o perigo! O ser humano começa a regredir até voltar aos tempos das árvores, caso não surja uma revolução inversa.

Se o perigo temido é a máquina ocupar o lugar do homem, o regresso às origens é o que deveria assustar mais. Nestes tempos de revolução 4.0, em que já há a imagem em 4D e existe a impressão de objetos como sapatos e carros, ninguém mais vive sem tecnologia. Isso quer dizer que daqui um pouco não pensará e nem falará.

As pessoas já acordam antenadas. Há aplicativos para tudo e nem há mais muito interesse por patrimônio convencional, pois tudo transita pela via digital.

O que vale, hoje, é viver emoções, desfilar na passarela da vida, comer apenas quando há uma razão social ou por prazer. E a convivência já é longe da pele.

Já chegou o dia em que o casal vai ao restaurante de dois pisos e cada um se instala num deles e passa a se comunicar pelo celular.

Como tudo a nossa volta é inteligente, até perdeu a graça conviver com pessoas. As teles nos mistificam e nos fascinam. E na real tudo perde o encanto.

Como a alimentação será diretamente na célula, através de suplementos nutricionais, a revolução na alimentação será inevitável. Comer será apenas um detalhe.

Talvez seja por isso que tento pregavam há alguns anos que chegaria o dia em que o ser prevaleceria sobre o ter. Hoje, ser preparado e conectado é que importa.

Mas não é só o fato de ficar dependente da tecnologia que é perigoso. Já há na ficção provas da probabilidade de logo o homem ser vítima da própria criatura. Os filmes mostram que o descontrole sobre instrumentos e máquinas pode significar um perigo à vida humana.

Se o vírus e a invasão de nossos dados representam problemas criados pela tecnologia, há o fato de ela causar alterações em nossos hábitos e em coisas que usávamos e que hoje não usamos mais.

Vamos pegar apenas um exemplo: há 20 anos a Casa da Moeda, por exemplo, trabalhava 24 horas por dia em três turnos. Hoje trabalha um e está prestes a ser privatizada ou desviada um pouco de sua função original.

Não foi só porque houve a estabilidade da moeda, mas porque passamos a usar o dinheiro de plástico – o cartão – e as transações financeiras e transmissões de dados são quase todas através da tecnologia. E hoje muita coisa já acontece por aplicativos, até mesmo ir de um lado para o outro.

Por outro lado, houve quem disse há 30 anos: haverá uma religiosidade exagerada com a angústia humana por não saber mais em que acreditar. Para os ateus, nunca teve cabimento pensar nisso, mas até eles já estão mudando.

Países onde se dizia que se mede a miséria e a ignorância de um povo pelo tamanho da torre da igreja, os monumentos mais admirados são as igrejas e templos cristãos. É que as pessoas estão apaixonadas por imagens e tudo o que for majestoso é um motivo a mais para clicar.

Acredito que todo o fascínio que a tecnologia exerce sobre nós deva ser devido à necessidade de se mostrar, de se ver na tela e de compartilhar nossa imagem a toda hora. Por isso que as redes sociais comandam a vida e até as eleições já sofrem a influência delas.

As pessoas sentem tanta necessidade de motivos para circular através dos impulsos eletrônicos que as duas vidas preferidas são os filhos e os animais de estimação. Ambos são os belos pretextos para a pose na foto que em segundos está disponível em todo o Planeta. Pelo menos há um lado bom: a vontade de proteger os animais e cuidar melhor das crianças.

A rigor, até os animais já fazem a selfie…

gato selfie

 

Onde controla assessorias.
Texto: Eron J Silva

 

https://youtu.be/AbHxFgHAmoA