QUANTO VALE A VIDA, HOJE? – Chegamos ao tempo em que ela não vale mais do que 1,99

QUANTO VALE A VIDA, HOJE? – Chegamos ao tempo em que ela não vale mais do que 1,99

O PREÇO DE UMA BALA OU DE UMA FACA: ISSO É O QUE ESTÁ VALENDO UMA VIDA NOS DIAS DE HOJE.

Num final de semana recente, só num dos bairros/SC foram assassinadas duas pessoas. Até onde irá essa decadência humana? Será que já virou epidemia a violência das grandes metrópoles? Onde será que vai parar a desvalorização da vida? Ela já vale menos que uma faca ou uma bala!…

Recentemente foi lançado um livro sob o título: O homem mais inteligente da História. A teoria é a de que Ele não cabe na mente humana porque é Deus. Realente Ele está faltando nos lares, entre os casais, entre pais e filhos, entre professores e alunos, enfim, entre toda a humanidade.

É quase certo que os dois assassinatos a que me referi acima ocorreram por motivos fúteis. Estamos perdendo o rumo e não temos mais nenhum temor a Deus. Até bem pouco o homem ainda não era tão cruel. Não matava tanto, mas não por medo da polícia, da toga e das grades da prisão. Era de medo do fogo do inferno.

É que o mundo anda cada vez mais material. Mais cheio de fantasias, prazer e apego à modernidade. É onde o “ter” é mais importante que o “ser”. Nem vida precisa existir. Até em nossa casa não pode haver um sinal de vida sequer. Ninguém pode desarruar as coisas. Tudo precisa estar no lugar, “senão o que é que vão dizer?”

É um mundo onde as pessoas não se importam mais com as outras. Quem tem, vira as costas para quem não tem. Países ricos não querem saber de pobres e de refugiados. Não sabem que os donos do mundo somos todos nós? É a gana pelo poder que só a avareza engendra e constrói.

Nem descobrimos que se o pão está duro, o duro é não ter pão. Coloca-se no lugar daquele que arruma comida para o almoço, mas se lembra que daqui um pouco chega a hora da janta. Essas cosias de egoístas é que levam ao desprezo pela vida, à exclusão odiosa e à discriminação infame.

Ninguém deve ser proibido de lutar pelas coisas materiais e pelo dinheiro. Afinal, o mundo é cheio de oportunidades, basta só aproveitá-las bem. Mas, nem por isso vamos passar a vida inteira acumulando riquezas para por embaixo do colchão.

Que tal aplicarmos o excedente na geração de mais oportunidades. Dar graças porque tivemos o privilégio de crescer por ter berço e, consequentemente, mais preparo e conhecimento? Todos nós nascemos com inteligência. O oportunismo e a ganância é que concentram e empobrecem a maioria.

Se cada um se apropriasse do suficiente para viver bem e dar futuro aos seus, sobraria dinheiro no mundo e acabaríamos com a fome em dois toques. Mas, gastamos a metade da vida correndo atrás só do dinheiro e na segunda metade dela gastamos muito dinheiro para recuperar a saúde que perdemos atrás dele.

Nem percebemos que de nada adiantam mansões se a solidão de uma casa de três cômodos é a mesma de uma meia água. Como disse Érico Veríssimo em sua obra Olhai os Lírios do Campo: “De que adianta construirmos arranha céus, se daqui um pouco nem teremos seres humanos para habitá-los?”

Caso não fizermos paradas para nós mesmos, iremos retornar à era das cavernas, onde a força é que predominava. Ou à era dos galhos, quando nem sabíamos que poderíamos pensar. A falta de pensar é que leva à decadência da vida.

Falta dar atenção e conversar com o semelhante. Ouvir suas queixas e se não tivermos como resolver de imediato, vamos acolher e caminhar juntos. Ninguém tem tão pouco que não possa repartir nada. O cheque esperança já é alguma coisa e o carinho também alimenta.

Reclamamos quando jogam alimentos no lixo, mas não percebemos que temos o alimento mais nutritivo que existe: o amor ao próximo. Mas ele é o que mais jogamos fora. Nós só damos aquilo que estiver sobrando. Quero ver repartir quando temos pouco! Ou sem ninguém para nos confortar e mesmo assim repartirmos o restinho de esperança que tivermos.

Jesus passava com apóstolos pelo cego que pedia esmola. Um cobrador de César jogou na cestinha três moedas de ouro. A mulher pobre jogou três das menores existentes. Ele disse: “as moedas da viúva pobre tiveram muito mais valor. Eram só as que ela tinha!