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EM TEMPOS DE NOVA POLÍTICA E DE NOVO CONGRESSO, UMA ANÁLISE DE PESO – Ex-constituinte de esquerda aponta causas da corrupção e das crises.


KISTER (2)
Esta postagem foi publicada em 10 de fevereiro de 2020 Administração, Destaques 5, Notícias, Notícias em Destaques Slide Topo, Política.

SAIBA A QUEM ELE ATRIBUI O FATO DE O PAÍS QUASE TER ENTRADO EM ROTA DE COLISÃO COM O CAOS…

 

O ex-deputado constituinte, hoje atuando na construção civil e que até pega na pá e na picareta, Francisco Küster, conhece os dois lados do balcão, por isso tem muito mais condições de falar sobre o assunto.

Küster foi vereador, deputado estadual, deputado federal e também presidente da Alesc e de estatais. Portanto já exercitou o executivo e foi assediado pelos dois lados.

O político catarinense atribui a situação atual do País, a corrupção e as constantes crises políticas, econômicas e sociais aos governos de coalizão do passado mais recente que se utilizaram do Congresso como um balcão de negócios e de fisiologismo.

Para ele, a corrupção, o déficit público e a irresponsabilidade fiscal espantam os investidores e ajudam a aprofundar as crises.

 

EM 2016 ELE JÁ PREVIU TUDO O QUE ACONTECEU ATÉ HOJE.

Esse ex-Deputado tem moral para sobre causas da corrupção e das crises moral, ética, política e econômica. Hoje ele, mesmo sendo ex-parlamentar constituinte, trabalha com dignidade na Construção Civil. Seguidamente põe a mão na massa: movimenta máquinas, usa o martelo rompedor e descarrega caçambadas de materiais junto com os pedreiros.

“O excesso de arrecadação, os Governos de Coalizão facilitam, a propina para compra de parlamentares visando formar poderosas bases no Congresso, nos levaram a esta situação. Com isso também espantam investidores, descentralizaram a prática ilícita, ramificada país afora e veio a recessão”.

APANHAVA DA DITADURA

O ex-deputado – que fez fama com os enfrentamentos à Ditadura – atribui escândalos como o da Petrobrás à formação da Base Parlamentar dos Governos de Coalizão, num Congresso com bancadas de 35 partidos e ao fabuloso montante de dinheiro arrecadado pelos cofres públicos.

EXCESSO DE PARTIDOS

Compor uma base parlamentar com a maioria entre 35 partidos não daria certo nem na China, onde os corruptos são tratados com rigor. Lá fuzilam o corrupto e mandam a nota da bala para a família pagar, contou o deputado Ivan Ranzolin que lá esteve em estudos.

Küster tem certeza que num passado recente o Palácio teve de comprar deputados individualmente, no varejo, e daí vinha custando cada vez mais caro. Segundo ele, essa endemia, uma espécie de epidemia de corrupção, vem ao longo da História. Contudo, agravou-se nas últimas três décadas.

CRESCEU NO GOVERNO FHC

Essa construção de Bases de Governo com muitos partidos foi inaugurada pelo Governo FHC. Inclusive foi quem criou o instituto da emenda parlamentar, por ocasião da aprovação da reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Essa prática de emendas em troca de apoio parlamentar não só se perpetuou nos Governos do PT, como a emenda parlamentar passou a ser impositiva.

Como o País arrecadava muito – explica ex-Constituinte – possibilitava roubar de rodo. Os corruptos, encorajados pela impunidade e a indiferença do povo, deitaram e rolaram nos últimos anos. Mas, de repente, “deram com os burros n’água”, devido às ações da PF, do MPF e da Justiça Federal. Logo em seguida a essa entrevista surgiu a Lava Jato.

A CARREIRA BRILHANTE DE FRANCISCO KÜSTER

Francisco Küster é dono de um dos maiores currículos da Política Catarinense. Elegeu-se vereador em 1969 pelo MDB, quando era funcionário do então 1º Batalhão Rodoviário de Lages. Em 1974, quando o MDB elegeu Deputado Federal até com pouco mais de 2 mil votos, Küster foi eleito Deputado Estadual, reeleito em 78 e 82.

Em 1986, elegeu-se Deputado Federal Constituinte. Não se reelegeu por falta de legenda. Após trabalhar certo período na Construção Civil, em 92, elegeu-se o vereador mais votado de Florianópolis. Em 1994 retornou à AL, após uma eleição muito disputada, e chegou à Presidência da Mesa Diretora.

Entre os cargos executivos que exerceu, destaque para presidência da CELESC – Centrais Elétricas de SC – em 99, e Secretário Regional no primeiro Governo Luiz Henrique, em Lages.

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Diz que em 2006 ensarilhou as armas e tirou o pelotão de campo. Aos 66 anos, voltou para a Construção Civil onde está até hoje. Ao longo da carreira política disputou a Prefeitura de Lages por duas vezes, uma numa sublegenda na eleição de Dirceu Carneiro e outra numa das eleições de Raimundo Colombo.

CURIOSIDADES DE KÜSTER

O ex-Deputado Constituinte, cujo nome completo é Francisco de Assis Küster, apesar de sempre ter tido uma vida franciscana, por outro lado tem uma história de vida rica em desafios e curiosidades. Aos 11 aos foi trabalhar como boy no 1º Batalhão Rodoviário. O expediente era das 7 às 8hs; escola das 8 às 12h; e à tarde trabalhava das 13 às 18h. Ainda era aprendiz por algumas horas semanais.

De 1961 a 70 foi funcionário do Batalhão como carpinteiro, pedreiro e gerente do Armazém da Cooperativa dos Funcionários da corporação. Em 1969, elegeu-se vereador, mesmo sendo funcionário do Batalhão em tempos de Ditadura.

Correligionários contam que fez a campanha para vereador às escondidas, junto à frota da corporação. Recusou uma proposta alvissareira para ir com o Batalhão para Santarém-PA, preferindo ficar em Lages cumprindo o mandato de vereador (e sem salário). Foi a largada para uma carreira política fulminante e vitoriosa.

Disse que ao longo de sua vida parlamentar nunca correu sem ver o pelo do bicho, principalmente nas confrontações com a Ditadura. Em toda greve lá estava o Küster, em defesa de professores, caminhoneiros e trabalhadores no transporte coletivo.

Presidiu a Assembleia Legislativa num dos períodos mais conturbado, inclusive com a proposta de Impeachment do então governador Paulo Afonso, no episódio das Letras do Tesouro do Estado para pagar precatórios. De lá para cá, foi Secretário de Estado, presidente da CELESC, a Concessionária de Energia de SC e hoje pega até no cabo da pá e da picareta junto com os pedreiros na Construção Civil.

 

 


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Coluna Eron J. Silva



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